Grátis ou de borla?
Que eu estou chateado, não é novidade nenhuma para quem lê regularmente este blog, até porque as palavras saiem muito mais fluidas, ou deverei dizer disparadas e acutilantes, quando estou em baixo. Primeiro que tudo, estou chateado por serem 10 da manhã e estar acordado sem ser por causa do Magic. Não vou a nenhum torneio, e não estive de pé até agora porque random torneio no MTGO prolongou-se pela noite toda.
Sentir o fresco ar da manhã, para variar, soube bem. Fez-me sentir activo. Ver os estabelecimentos a abrir portas, pessoas a correr para o trabalho, quando normalmente os vejo encerrados e a regressar para casa. Poderia ser para mim o primeiro passo de um regresso a um quotidiano menos ortodoxo. Os meus pais aconselharam-me a que aprendesse chinês pois poderia ajudar-me profissionalmente, no ramo das traduções. Há uns tempos propuseram que eu me inscrevesse numa escola privada no Lumiar que eles suportavam todos os custos. Estúpido como sou, recusei alegando que no Instituto Macau o curso era grátis, e eu conhecia algumas pessoas que lá andavam: uma amiga do liceu, uns tios meus, e a mãe dos gémeos.
Segundo informações que obti a semana passada, as inscrições seriam dia 18 das 9:30 até as 13h, e das 14:30 até às 17h, e esta a razão pela qual estava na rua às 8 e tal da manhã. Só que quando cheguei lá às 9h, já não havia mais boletins para inscrições. Nem sequer para as inscrições da tarde. Raramente me acontece no Magic, mas aqui na vida real fui completamente “outplayed”. Disseram-me para estar lá às 9:30, armado em espertalhão fui para lá às 9, e já não havia inscrições.
A conclusão a que cheguei é que odeio coisas grátis. Não há nada que acabe por sair mais caro que uma coisa que foi grátis. Já podia estar a aprender chinês há alguns meses, mas o que era grátis acabou por ter outros custos. Eu interrogo-me, sendo o curso do instituto Macau grátis, se no acto de inscrição cobrassem um valor, será que esgotava antes das portas abrirem?
Não é mau feitio da minha parte, mas a resposta é que o preço, mesmo que baixo acaba por ser selectivo. Todas as pessoas que já frequentaram o curso sabem que o sistema funciona por base de “first come, first served”, mas que passado dois meses de aulas, as turmas estão reduzidas a metade. Uns dizem que desistem porque “é muito difícil”, outros acabam por não ter tempo depois das aulas e trabalhos, outros só se inscreveram por curiosidade ou para experimentar, e outros só lá puseram os pés porque era “grátis” e não lhes custou nada.
Reparem que a minha ideia de cobrar um preço por inscrição, não tem como objectivo tornar o curso caro e proibitivo a quem não tenha posses. O curso continuava a ser gratuito, o preço na inscrição tinha somente a finalidade de averiguar se a intenção do candidato em relação ao curso era séria ou não. Digo que um valor de 25-30 euros no acto da inscrição, seria suficiente para afastar muitos dos curiosos.
Outra possibilidade para evitar que as pessoas batam com a porta na cara, seria aceitar todas as inscrições, com apresentação de uma carta de motivação a explicar o interesse no curso. Mas o único requisito é mesmo ser madrugador. Percebo que o interesse do instituto seja ter as vagas cheias, e que cobrar um valor pela inscrição ou pedir uma carta de motivação inibisse muitas pessoas. Mas desta forma, e à semalhança dos anos anteriores, vão chegar ao fim do ano com as salas bem vazias.
O preço que um espaço coloca, não corresponde apenas ao serviço que esse espaço nos presta. É também selectivo, o grátis atrai um certo público que pode ou não ser o desejável. Há restaurantes que têm os preços caros porque pretendem ser selectivos nos seus clientes. Por sua vez, a sopa dos pobres é grátis, desde que não nos importemos de fazer a nossas refeição sentados ao lado de sem abrigos, carochos, e outros que mais.
No meu caso, se os meus pais não tinham problemas em pagar os custos de uma escola privada, eu não tinha necessidade de esperar uns meses até à matrícula na escola grátis. E aqui estou eu, acordado de manhã, como um dependente de álcool a quem lhe passou a euforia inicial por conseguir estar sem beber, agonizando pelo estado físico e psicológico anormal em que se encontra.
Graças a Deus, que existe Magic Online, e que o servidor está up 24 horas por dia. Graças a Deus que é a pagar. Assim só põe lá dinheiro quem acha que sabe jogar, ou então peixes pequenos com dinheiro que servem de alimento a tubarões. Afastados ficam todos os tonis que dizem que o Magic Online devia ser grátis. Um serviço de qualidade, o qual posso reclamar e recebo o meu dinheiro de volta se algo falhar, como o servidor cair. Enfim, são os mesmos que acham que o dinheiro devia ser grátis também.
Sentir o fresco ar da manhã, para variar, soube bem. Fez-me sentir activo. Ver os estabelecimentos a abrir portas, pessoas a correr para o trabalho, quando normalmente os vejo encerrados e a regressar para casa. Poderia ser para mim o primeiro passo de um regresso a um quotidiano menos ortodoxo. Os meus pais aconselharam-me a que aprendesse chinês pois poderia ajudar-me profissionalmente, no ramo das traduções. Há uns tempos propuseram que eu me inscrevesse numa escola privada no Lumiar que eles suportavam todos os custos. Estúpido como sou, recusei alegando que no Instituto Macau o curso era grátis, e eu conhecia algumas pessoas que lá andavam: uma amiga do liceu, uns tios meus, e a mãe dos gémeos.
Segundo informações que obti a semana passada, as inscrições seriam dia 18 das 9:30 até as 13h, e das 14:30 até às 17h, e esta a razão pela qual estava na rua às 8 e tal da manhã. Só que quando cheguei lá às 9h, já não havia mais boletins para inscrições. Nem sequer para as inscrições da tarde. Raramente me acontece no Magic, mas aqui na vida real fui completamente “outplayed”. Disseram-me para estar lá às 9:30, armado em espertalhão fui para lá às 9, e já não havia inscrições.
A conclusão a que cheguei é que odeio coisas grátis. Não há nada que acabe por sair mais caro que uma coisa que foi grátis. Já podia estar a aprender chinês há alguns meses, mas o que era grátis acabou por ter outros custos. Eu interrogo-me, sendo o curso do instituto Macau grátis, se no acto de inscrição cobrassem um valor, será que esgotava antes das portas abrirem?
Não é mau feitio da minha parte, mas a resposta é que o preço, mesmo que baixo acaba por ser selectivo. Todas as pessoas que já frequentaram o curso sabem que o sistema funciona por base de “first come, first served”, mas que passado dois meses de aulas, as turmas estão reduzidas a metade. Uns dizem que desistem porque “é muito difícil”, outros acabam por não ter tempo depois das aulas e trabalhos, outros só se inscreveram por curiosidade ou para experimentar, e outros só lá puseram os pés porque era “grátis” e não lhes custou nada.
Reparem que a minha ideia de cobrar um preço por inscrição, não tem como objectivo tornar o curso caro e proibitivo a quem não tenha posses. O curso continuava a ser gratuito, o preço na inscrição tinha somente a finalidade de averiguar se a intenção do candidato em relação ao curso era séria ou não. Digo que um valor de 25-30 euros no acto da inscrição, seria suficiente para afastar muitos dos curiosos.
Outra possibilidade para evitar que as pessoas batam com a porta na cara, seria aceitar todas as inscrições, com apresentação de uma carta de motivação a explicar o interesse no curso. Mas o único requisito é mesmo ser madrugador. Percebo que o interesse do instituto seja ter as vagas cheias, e que cobrar um valor pela inscrição ou pedir uma carta de motivação inibisse muitas pessoas. Mas desta forma, e à semalhança dos anos anteriores, vão chegar ao fim do ano com as salas bem vazias.
O preço que um espaço coloca, não corresponde apenas ao serviço que esse espaço nos presta. É também selectivo, o grátis atrai um certo público que pode ou não ser o desejável. Há restaurantes que têm os preços caros porque pretendem ser selectivos nos seus clientes. Por sua vez, a sopa dos pobres é grátis, desde que não nos importemos de fazer a nossas refeição sentados ao lado de sem abrigos, carochos, e outros que mais.
No meu caso, se os meus pais não tinham problemas em pagar os custos de uma escola privada, eu não tinha necessidade de esperar uns meses até à matrícula na escola grátis. E aqui estou eu, acordado de manhã, como um dependente de álcool a quem lhe passou a euforia inicial por conseguir estar sem beber, agonizando pelo estado físico e psicológico anormal em que se encontra.
Graças a Deus, que existe Magic Online, e que o servidor está up 24 horas por dia. Graças a Deus que é a pagar. Assim só põe lá dinheiro quem acha que sabe jogar, ou então peixes pequenos com dinheiro que servem de alimento a tubarões. Afastados ficam todos os tonis que dizem que o Magic Online devia ser grátis. Um serviço de qualidade, o qual posso reclamar e recebo o meu dinheiro de volta se algo falhar, como o servidor cair. Enfim, são os mesmos que acham que o dinheiro devia ser grátis também.

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