Não se preocupem comigo, eu fico bem

Friday, December 22, 2006

Perfumes

Que Outubro e Novembro foram atarefados, é o mínimo que se pode dizer. No início da jornada era Level 3 em busca do ponto que me faltava para Level 4, mas à medida que ia avançando fui subindo até que cheguei a Level 6 bem no topo. Para todos aqueles que não percebem de Magic, de uma forma bastante resumida, os objectivos foram alcançados, recolocados, re-alcançados e ainda mais além, mas como é fácil de constatar não houve tempo pelo meio para actualizações ao blog.

Agora que a season 2006 acabou, a vida em Lisboa voltou quase à normalidade, não fosse estarmos em época natalícia. Eu não sou alguém que odeie profundamente o Natal, as compras, as prendas, a família e a tradição, simplesmente não gosto de receber prendas inúteis, e aborrece-me um pouco matar a cabeça enquanto penso no que é que vou oferecer a quem. Por exemplo, o meu amigo Fred entre outras coisas estranhas que tem, tal como ficar mal disposto se não comer um doce a seguir à refeição, não dá presentes a ninguém.

Não fosse a minha mãe, com quem vivo, e a minha namorada, também não iria perder muitas energias com o problema das prendas. Com a minha mãe ainda é mais simples, todos os anos compro o mesmo perfume que sei que ela gosta, e ao menos é um presente útil, e ela não reclama que não gosta ou que não lhe serve para nada o presente. Um dia estava no Centro Colombo e decidi resolver logo 50% das prendas e comprar a da minha mãe, no que foi uma visita muito simples a uma perfumaria. Peguei no frasco pretendido, paguei-o, embrulharam-me e vim-me embora. À saída estavam à minha espera quatro, atenção, quatro gajos, e não era para me assaltarem como seria de esperar no Colombo. Estavam à caça de autógrafos! Meus autógrafos. Estavam à porta da perfumaria à espera que eu saísse com cartas na mão para eu lhes assinar.

Após um parágrafo forçado para acrescentar uma pausa, um momento de reflexão em conjunto, o único pensamento que me ocorre é interrogar-me: autógrafos? Não é de todo uma situação estranha, tendo já assinado dezenas de cartas em torneios de Magic, sobretudo em Espanha, França e Itália, e muito raramente nalguns torneios Portugueses, pois o jogador Tuga idolatra jogadores estrangeiros. Americanos, Holandeses ou Japoneses sobretudo, assim como eu sou estrangeiro para os espanhóis e franceses. O bizarro da situação está no local e nas circunstâncias onde aconteceu, que foram mais que suficiente para me deixar embaraçado. Gajos à minha espera, para autógrafos, no meio do Colombo, cheio de gente, em época natalícia.

Ainda a faltarem 50% das prendas, esta metade porém mais problemática do que a primeira, tive de recorrer à minha amiga Pipa, leitora número 1 deste Blog. Olhando para a lista de presentes que ela ficaria contente de receber pelo Natal fui eliminando alguns que já tinha dado, até ficar decidido que ia oferecer um perfume. Pedi à Pipa que escolhesse um, confiando no bom gosto dela e para evitar andar a cheirar tiras de papel com perfume na loja. Como a Pipa é rapariga e sente que não deve fazer tudo por mim, a fim de eu também intervir no processo de escolha do presente, ela resolve dar-me uma lista de possíveis perfumes. Mas sendo eu rapaz obviamente que escolhi o primeiro, e escrevi o nome num pedaço de papel que levei comigo para a loja.

Esta minha segunda visita a uma perfumaria foi mais prolongada, pois não conseguia encontrar o raio do perfume Hyponse. Fui ver de novo ao papel de que marca era, sendo ele da Lancome. Ao ver o nome dos perfumes, ocorreu-me que todos eles têm nomes que parecem decks de Magic, senão vejam: Dark Blue, True Star, Eternity, Miracle Forever, Magic Miracle, Hypnose… e foi então que me apercebi das características das conversas via Messenger. Com que então, Hyponse da Lancome, não é? Felizmente não fui ter com nenhuma senhorita a perguntar pelo perfume Hyponse da Lancome. Paguei, fizeram-me um belíssimo embrulho todo bem arranjadinho, e fui para a Arena onde tinha combinado encontrar-me com o Fred para buscar umas coisas.

Obviamente que o Fred não estava lá, mas estava outros com quem fiquei à conversa lá fora um pouco. Nisto, o Velhinho (Pedro Velhinho, idade 20) decide vir mexer no meu presente e levá lo para dentro onde em conjunto com o puto Márcio resolvem-no abrir. Não foi abrir, para espreitar o que é lá para dentro, foi abrir a rasgar o embrulho, sob o pretexto que não sabiam o que era. Mas porque será que só me dou com gente estranha, que não sabem o que é o Natal, não o Natal no sentido religioso do Cristianismo, mas a tradição consumista de Natal, onde as pessoas compram presentes e os embrulham para oferecer a outras. Fiquei doente com o sucedido, mas não valia a pena stressar, já que daqueles os dois, o melhor que me podiam fazer a seguir a estarem quietos e calados, seria colar aquilo com fita-cola, algo que eles sugeriram e que eu imediatamente recusei.

Mais tarde, e de volta ao Messenger enquanto conversava com um amigo indeciso em relação à prenda para a namorada ocorreu-me experimentar se era apenas eu que não percebia nada de perfumes. Sugeri-lhe que comprasse um pack com frasco de perfume e creme, o Hyponse da Lancome. Ele agradeceu e apontou o nome. Perguntei-lhe se estava tudo bem. Desconfiado, respondeu-me se eu lhe estaria a dar o nome de um perfume para homem. Não. Estava apenas a provar que homens não percebem de perfumes.